Notícia publicada na edição de 25/05/2011 do Jornal Cruzeiro do Sul, na página 003 do caderno B - o conteúdo da edição impressa na internet é atualizado diariamente após as 12h.
Carolina Santana
Advogados especializados em comércio internacional, reestruturação de empresas, direito ambiental, fusões e aquisições estão em falta no mercado sorocabano. A constatação é de uma pesquisa realizada pela Empresa Júnior da Escola Superior de Administração, Marketing e Comunicação (Esamc) feita a pedido da seccional Sorocaba da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Os dados foram coletados em cem empresas de pequeno, médio e grande porte instaladas na cidade.
A ideia, informa o diretor geral da Esamc em Sorocaba, Sandro Vidotto, é mostrar como está a demanda por advogados na cidade. Outra constatação do levantamento foi que esses profissionais não encontrados na cidade são buscados em São Paulo, Capital. A pesquisa é inédita no Estado de São Paulo. O presidente da OAB Sorocaba, Alexandre Ogusuku, informa que a pesquisa foi encomendada por conta do grande número de novos advogados que pedem ajuda para a entidade durante o início da carreira. "Apesar disto, os dados podem ser aproveitados também por profissionais que já estão há tempo no mercado", comentou ele.
Com os dados em mãos a conclusão, tanto por parte da OAB, como da Esamc, é que a especialização deve ser o futuro da profissão. Ogusuku destaca a potência econômica e poder financeiro da cidade. "Sorocaba é a eterna Manchester Paulista e vai buscar esses serviços em São Paulo", disse ele.
Sem concorrência
Para Vidotto uma das surpresas mostradas pela tabulação dos dados é a inexistência de concorrência regional. "Eu esperava que a pesquisa mostrasse a busca desses profissionais na região ou em Campinas, por exemplo", comentou. Outro dado apontado pelo levantamento é que o custo do serviço não é um problema para as empresas que estão dispostas a pagar pelo serviço especializado.
O mercado para essas especialidades, pondera Vidotto, é reforçado pelo perfil econômico de Sorocaba. "É interessante pois Sorocaba é uma cidade exportadora, com muitas multinacionais e até um porto seco", pondera. O desinteresse por essas áreas, afirma Vidotto, deve acontecer por conta do desconhecimento da demanda por parte dos profissionais. A pesquisa mostrou que os segmentos com maior oferta de profissionais são os chamados tradicionais, como trabalhistas, do consumidor, societário, penal e tributário. "De um modo geral, estamos dizendo para o advogado que existem diversas áreas que têm falta de profissional especializado", resume Vidotto.
Fórum em outubro
A pesquisa deve ser desdobrada para o levantamento de outras informações, adianta Vidotto. No entanto, os resultado desta primeira investigação devem ser mostrados para os advogados em outubro deste ano no Fórum da Advocacia. O presidente da seccional da OAB, Alexandre Ogusuku, afirma que esses dados devem ser passados tanto para os jovens advogados como para os que já estão no mercado de e trabalho. Ele informa que são 4 mil profissionais inscritos atualmente. O mercado local recebe, anualmente, outros 150 novos advogados que conseguem a inscrição na ordem.
"Está claro agora que o que as empresas querem, na verdade, são profissionais especializados nos diversos ramos do direito que atendem suas necessidades. O mercado de Sorocaba é promissor. Está em franco desenvolvimento e a cidade é economicamente rica", analisa o advogado. Ele informa que o salário médio do advogado gira em torno de R$ 1.200, valor que aumenta de acordo com as especializações.
No Fórum da Advocacia, além da demanda mercadológica, também serão abordados outros temas. A estruturação e administração de um escritório, assim como a questão do marketing e a forma de se fazer publicidade devem ser alguns dos temas abordados.
Impacto acadêmico
O resultado da pesquisa, pondera Ogusuku, deve provocar impacto nas instituições de ensino. "Acredito que novos cursos devem surgir e isto também na OAB. Por enquanto estamos sem salas, mas vamos olhar com mais atenção para estas áreas", adianta ele. Na Esamc a realidade do mercado de trabalho que os alunos encontrarão após a graduação é uma preocupação constante. A coordenadora do curso de direito da instituição, Daniele Pavin destaca que algumas das especialidades com carência de profissionais já fazem parte da grade curricular do curso de direito.
O empreendedorismo também é um dos temas aprendidos pelos alunos da Esamc. "Falamos em finanças para os alunos de direito", destaca ela. Segundo a coordenadora muitos advogados depois de formados não sabem como gerenciar um escritório. "Ou ele vai ser empregado de outra empresa ou vai abrir o escritório com risco de ficar por muito tempo no vermelho", brinca. Então, para diminuir o risco disto acontecer, entre outras coisas, os alunos aprender a lidar com contas a pagar, a receber e o cálculo do custo de manter um estabelecimento.
Para ela, o marketing é outra questão importante que deve ser abordada pela faculdade. Ela lembra que por questões éticas os advogados têm uma série de restrições para a publicidade. Assim, é importante que o futuro profissional saiba informar para o mercado quais são os seus serviços e suas especialidades.
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